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CAPS é lugar de cuidado: serviço em Camocim ajuda a quebrar preconceitos sobre saúde mental 

Centro de Atenção Psicossocial Dr. Érlon Barros Giló oferece acolhimento e acompanhamento em Camocim de São Félix e reforça uma mensagem importante: pedir ajuda é um ato de cuidado. 

Durante muito tempo, falar sobre saúde mental foi motivo de silêncio, vergonha e até preconceito. Expressões ofensivas, brincadeiras e ideias equivocadas acabaram criando uma imagem do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) que não corresponde ao verdadeiro papel desse importante serviço público. 

Em Camocim de São Félix, essa realidade ganhou um novo capítulo com a implantação do CAPS I Dr. Érlon Barros Giló, entregue pela Prefeitura em agosto de 2026, no bairro Cruzeiro. O espaço passou a fortalecer a rede municipal de cuidados com pessoas que enfrentam momentos de sofrimento emocional e precisam de acompanhamento e acolhimento. 

CAPS não é lugar de “gente louca” 

Essa talvez seja uma das ideias que mais precisam ser desconstruídas. 

O CAPS não deve ser associado a palavras ofensivas ou usado como motivo de piada. É um serviço de saúde, assim como outros equipamentos que integram o SUS. Sua diferença está no tipo de cuidado oferecido: o atendimento é direcionado principalmente às pessoas que estão passando por situações mais difíceis relacionadas à saúde mental e que precisam de acompanhamento mais próximo. 

O Ministério da Saúde define os CAPS como serviços públicos, abertos à comunidade, destinados a acolher pessoas em intenso sofrimento e ajudá-las no dia a dia, fortalecendo também sua convivência com a família e a comunidade. 

Na prática, significa encontrar um espaço onde a pessoa possa ser ouvida, acolhida e acompanhada sem julgamento. 

Quem passa por um momento difícil não precisa de rótulos. Precisa de cuidado. 

Um lugar para acolher pessoas 

Outra imagem que precisa ficar no passado é a ideia de que cuidar da saúde mental significa afastar a pessoa do convívio social. 

A proposta dos CAPS segue justamente outro caminho. O serviço busca cuidar das pessoas dentro da comunidade, preservando vínculos familiares, autonomia, dignidade e participação na sociedade. Essa política está ligada ao princípio de “cuidar em liberdade”, adotado pelo SUS para garantir um atendimento mais humano e respeitoso. 

Além das conversas e atendimentos individuais, os CAPS podem desenvolver atividades em grupo, oficinas, ações culturais e de convivência, orientação às famílias e outras iniciativas que ajudem cada pessoa a retomar sua rotina e fortalecer seus vínculos. 

Por isso, reduzir o CAPS a estereótipos significa desconhecer a dimensão do trabalho realizado nesses espaços. 

Porta aberta para quem precisa 

Uma informação importante é que os CAPS trabalham com a lógica de porta aberta. De acordo com o Ministério da Saúde, a pessoa pode procurar diretamente o serviço para o primeiro acolhimento, sem necessidade de marcar previamente uma consulta. Também é possível chegar ao CAPS por encaminhamento de outros serviços públicos. 

Em Camocim de São Félix, o estabelecimento está oficialmente cadastrado no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) como CAPS I Dr. Érlon Barros Giló, sob gestão municipal. O cadastro aponta funcionamento de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h. 

Para o secretário municipal de Saúde, Dr. Gésio Fonseca, combater o preconceito também faz parte do cuidado. 

“Precisamos fazer a população entender que o CAPS é, acima de tudo, um lugar de acolhimento e cuidado. Ninguém deve sentir vergonha de procurar ajuda quando percebe que não está bem. Assim como cuidamos do nosso corpo, também precisamos cuidar da nossa mente. O CAPS existe para receber pessoas, ouvir, orientar, acompanhar e ajudar cada usuário e sua família a enfrentar momentos difíceis com dignidade e respeito. Queremos quebrar os preconceitos e aproximar cada vez mais esse serviço da nossa população”, destaca Gésio Fonseca. 

Trocar o julgamento pelo acolhimento 

O preconceito pode fazer com que alguém deixe de procurar ajuda justamente quando mais precisa. 

Por isso, desmistificar o CAPS também significa mudar a maneira como a sociedade fala sobre saúde mental. Frases pejorativas envolvendo o serviço, mesmo quando usadas como brincadeira, podem reforçar estereótipos e atingir diretamente pessoas que fazem acompanhamento ou que estão pensando em buscar ajuda. 

A Rede de Atenção Psicossocial do SUS estabelece entre seus princípios justamente o respeito aos direitos, à autonomia e o combate ao estigma e ao preconceito. 

O CAPS representa o contrário da exclusão. 

Representa acolhimento, escuta, cuidado e oportunidade de seguir em frente. 

E talvez essa seja uma das mensagens mais importantes para Camocim de São Félix: cuidar da mente é cuidar da vida. Procurar ajuda não é motivo de vergonha. Preconceito é que não pode ter espaço. 

Da Redação – DECOM – Jornalismo – José Batista Neto