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Falar é também cuidar: Setembro Amarelo reforça importância de vencer preconceitos sobre saúde mental em Camocim

Com CAPS em funcionamento no município, campanha chama atenção para o acolhimento, a escuta e a necessidade de deixar para trás estigmas que ainda afastam pessoas dos serviços de saúde mental

Durante o mês de setembro, a cor amarela ganha um significado especial: chamar a atenção para a valorização da vida e para a importância de cuidar da saúde mental. Mais do que uma campanha concentrada em uma única época do ano, o Setembro Amarelo abre espaço para uma conversa que precisa acontecer todos os dias, dentro de casa, entre amigos, nas escolas, no trabalho e nos serviços públicos de saúde.

O dia 10 de setembro é reconhecido como o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio, e a mobilização realizada ao longo do mês busca ampliar a conscientização sobre prevenção, cuidado e valorização da vida.

Mas falar sobre saúde mental também significa enfrentar um problema que atravessou gerações: o preconceito.

Expressões pejorativas, julgamentos e a ideia de que procurar atendimento é sinal de fraqueza podem fazer com que uma pessoa em sofrimento tenha receio ou vergonha de pedir ajuda. O próprio Ministério da Saúde reconhece o estigma como um dos desafios da saúde mental e destaca que ele pode atingir não somente quem necessita de cuidado, mas também familiares, profissionais e os próprios serviços destinados ao atendimento.

CAPS é lugar de cuidado

Em Camocim de São Félix, a população conta com o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) Dr. Érlon Barros Giló, no bairro do Cruzeiro, fortalecendo a estrutura municipal destinada ao cuidado com a saúde mental.

E é justamente sobre o CAPS que ainda existem ideias que precisam ser desconstruídas.

CAPS não deve ser sinônimo de vergonha, isolamento ou exclusão. É um serviço de saúde.

Segundo o Ministério da Saúde, os Centros de Atenção Psicossocial são serviços públicos e comunitários voltados ao acolhimento de pessoas em intenso sofrimento psíquico. Esses espaços contam com equipes multiprofissionais e podem oferecer acompanhamento, apoio psicológico, atividades terapêuticas e de socialização, além de orientação às famílias.

O modelo faz parte da Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) do Sistema Único de Saúde e busca proporcionar cuidado próximo da comunidade, preservando direitos, autonomia e cidadania. O combate ao estigma e ao preconceito está entre as diretrizes dessa rede.

Pedir ajuda não deve ser motivo de vergonha

Assim como alguém procura uma unidade de saúde quando percebe que alguma coisa não vai bem com o corpo, falar sobre aquilo que causa sofrimento emocional e procurar atendimento também precisa ser encarado com naturalidade.

Não se trata de rotular pessoas. Trata-se de acolher pessoas.

Por isso, familiares, amigos e toda a comunidade também têm papel importante. Ouvir sem julgamento, evitar brincadeiras ou comentários depreciativos sobre saúde mental e incentivar a procura por atendimento profissional são atitudes que ajudam a construir uma sociedade mais acolhedora.

Nos casos relacionados à prevenção do suicídio, o Ministério da Saúde orienta que sinais de alerta não sejam analisados isoladamente. Quando alguém demonstra sofrimento, a recomendação é oferecer escuta, incentivar a busca por profissionais ou serviços de saúde e, diante de perigo imediato, procurar atendimento de urgência e não deixar a pessoa sozinha.

Cuidado que precisa continuar o ano inteiro

O Setembro Amarelo termina quando setembro acaba. O cuidado com as pessoas, não.

A existência de um CAPS em Camocim de São Félix aproxima o atendimento especializado da população e reforça uma mensagem fundamental: ninguém deveria deixar de procurar ajuda por medo do que os outros vão pensar.

Vencer os tabus relacionados à saúde mental começa pela informação. Passa pelo respeito, pela escuta e pelo acolhimento. E se completa quando quem precisa encontra uma porta aberta para pedir ajuda.

Saúde mental é saúde. Falar sobre ela também é uma forma de cuidar.