Inicio / Assistência Social / Mondé dos Cabrais inicia processo de autodefinição quilombola e fortalece resgate histórico em Camocim de São Félix

Mondé dos Cabrais inicia processo de autodefinição quilombola e fortalece resgate histórico em Camocim de São Félix

Comunidade rural dá passo importante no reconhecimento de sua ancestralidade, identidade cultural e direitos territoriais 

A comunidade de Mondé dos Cabrais, localizada na zona rural de Camocim de São Félix, deu início ao processo de autodefinição quilombola, um marco histórico para os moradores e para a preservação da memória afro-brasileira no município. 

A autodefinição — também conhecida como autoidentificação quilombola — é reconhecida legalmente pelo Decreto Federal nº 4.887/2003 e pela Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). O princípio assegura que a própria comunidade tenha o direito de reconhecer e afirmar sua identidade étnica, cultural e histórica, sem a necessidade de validações externas. 

O processo representa muito mais do que um reconhecimento formal. Ele fortalece a valorização das raízes ancestrais, das tradições culturais, dos laços comunitários e da trajetória histórica construída ao longo de gerações por famílias que preservam modos de vida, memórias e relações territoriais próprias. 

Localizada no território camociense, Mondé dos Cabrais possui forte ligação com a história rural da cidade e passa agora a trilhar um caminho de fortalecimento cultural e institucional. A iniciativa também abre portas para futuras políticas públicas voltadas à promoção da igualdade racial, valorização da cultura afro-brasileira, preservação do patrimônio imaterial e desenvolvimento social da comunidade. 

A história cultural da localidade também carrega forte influência da tradição popular da Mazurca, manifestação cultural marcante na região. Entre os ancestrais ligados à preservação dessa herança está Tiago do Mondé, figura lembrada pela comunidade como referência histórica e cultural, mantendo viva uma tradição passada entre gerações e que integra a identidade do povo do Mondé dos Cabrais. 

Segundo a Fundação Cultural Palmares, responsável pela certificação das comunidades quilombolas no Brasil, o reconhecimento acontece com base na autodeclaração coletiva da comunidade, respeitando o direito constitucional de autoatribuição identitária. 

O processo de autodefinição envolve organização comunitária, reuniões coletivas, levantamento histórico, construção de documentos e fortalecimento da memória oral dos moradores. Entre os documentos exigidos estão a ata da assembleia comunitária, o relato histórico da comunidade e o requerimento formal encaminhado à Fundação Cultural Palmares. 

A movimentação em Mondé dos Cabrais reforça a importância do reconhecimento das comunidades tradicionais existentes no interior pernambucano e contribui para ampliar o debate sobre ancestralidade, pertencimento e resistência histórica da população negra no Agreste.